Gosto de futebol
- 4 de mar. de 2017
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Como a maior parte dos adeptos de futebol gosto bastante deste deporto. E acuso-me desde já, não sou um adepto comum, sou um pai, que acompanha o seu filho aos treinos e jogos, num total avassalador de horas semanalmente dedicadas ao futebol.
Tendo como fundamental, que o o contexto desportivo do atleta, deverá ser integrado positivamente na sua formação académica, o acompanhamento familiar torna-se um fator muito importante na sua evolução. Assim caberá aos pais, ensinar conceitos tão importantes como: esforço permanente (em respeito aos colegas e à equipa), alegria em treino ou jogo (porque só alguém que gosta do que faz, o fará de forma excepcional), ou gestão das expetativas criadas.
Rapidamente coloco de lado como jogava, na minha infância, com umas sapatilhas "não" apropriadas e qualquer roupa. Tal como brincava com caricas, berlindes, ou piões, e que agora foram facilmente substituídos por gadegts tecnológicos.
Cedo percebi que as expectativas criadas em redor dos jogadores eram elevadas, senão vejamos:
- Chuteiras de marca e modelos topo de gama nos pés dos atletas, com apenas 10/11 anos de idade.
- Equipamentos da marca que patrocina o clube, ou seja que equipa os seniores.
- E acompanhados por uma equipa técnica de profissionais, e restante staff do clube, de forma a assegurar as perfeitas condições para evolução.
Face a esta nova realidade, de investimento temporal e financeiro por parte do progenitor, por vezes muito superior ás suas possibilidades monetárias, a pressão que poderá ser criada junto do filho/atleta é muito superior ao que acontecia à algumas décadas atrás.
Existem diversos estudos, que apontam vários motivos para o abandono da prática regular de futebol, até aos 12/13 anos, por atletas que iniciaram a prática do mesmo em idades precoces, como 6/7/8 anos:
- Apenas experimentaram uma modalidade desportiva, neste caso o futebol, e não diversas modalidades, de forma a poderem identificar o que realmente gostam. A escolha do futebol é normalmente feita pelo pai, de forma a poder concretizar no filho, a oportunidade que não teve na sua infância/juventude.
- Elevada "pressão" efetuada pelos progenitores, aliando algo tão importante como a afetividade, aos resultados desportivos. Ou seja mais afetivo quando o filho obtém um bom resultado no jogo, e menos afetivo ou indiferente quando acontecem os resultados menos bons.
- Uma nova fase de vida, a adolescência, com tudo o que encerra.
- E muitos outros motivos ... porque realmente são muitos!
Como tal só peço ao meu filho que se esforçe e se divirta, e nunca mas nunca alimento ilusões. Tem apenas 11 anos e só ele poderá lutar pelo que quer, de forma a atingir os seus objetivos.
E se em algum momento já não se sentir feliz a praticar futebol, então dir-lhe-ei:
"Meu filho, o importante é seres feliz! E se serás feliz a praticar Padel ou outro desporto, vai então tentar!"
E depois diria em tom jocoso:
"O Padel tem seleção nacional :)"
P.F. Deixem-me participar ativamente na vida familiar, académica e desportiva do meu filho! Porque o tempo passa a correr.
Termino como comecei, eu gosto de futebol, mas gosto muito mas muito mais do meu filho.



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